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Acessibilidade e computação em nuvem são destaques no segundo dia de evento

Outros três projetos serão apresentados ainda hoje (2/12) na Mostra CTIC/RNP

Projetos inovadores ligados à Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) fazem parte da II Mostra Inova CTIC/RNP, entre 1° e 2 de dezembro, em São Paulo. No segundo dia do evento, as apresentações começaram com o Grupo de Trabalho (GT) VLibras da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). O grupo oferece um serviço de tradução automática de conteúdos digitais multimídia para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), por meio da computação. Um dos motivadores do projeto foi a constatação de que as soluções tradicionais têm suas limitações.

“O uso de legendas em texto não é eficaz, porque, de acordo com estudos, pessoas com deficiência auditiva têm a capacidade de leitura reduzida, devido à dificuldade de alfabetização. Já as janelas de Libras tradicionais, com profissionais especializados, têm alto custo e necessitaria de muita mão de obra”, explicou o coordenador do projeto Tiago Maritan, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Assim, o projeto criou ferramentas que aceitam diferentes tipos de mídia – vídeo, texto ou áudio – e geram uma cópia acessível dos arquivos com uma janela embutida com a tradução em sinais de Libras, representada por um avatar-3D. 

“Sabemos que a tradução automática também tem suas limitações. Por isso, nosso objetivo não é substituir os intérpretes, e sim, dar autonomia ao usuário, quando não for viável contratar um intérprete”, ressaltou Maritan. Atualmente, o grupo está trabalhando para melhorar ainda mais o personagem 3D e os detalhamentos dos movimentos das mãos, das expressões faciais e movimento corporal, minúcias fundamentais para uma melhor tradução em Libras.

Outro GT que participou da mostra foi o CNC, que criou um serviço experimental em computação em nuvem para armazenamento de dados na área das ciências. De acordo com o coordenador adjunto do trabalho, o PhD Carlos Eduardo da Silva, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o serviço seria um ‘Dropbox brasileiro acadêmico’, com a vantagem de ser mais seguro. “Uma das desvantagens dos serviços de nuvem comerciais é o fato de o sigilo de dados ser ignorado por muito deles”, destacou Silva. 

Foi criada uma solução que gera nuvens privadas, onde é possível proteger a privacidade dos dados armazenados usando criptografia. A solução foi criada para o ambiente acadêmico, mas pode ser implementada em diferentes esferas, como escritórios e empresas que necessitem manter seus dados seguros, em uma infraestrutura própria de armazenamento. Com uma arquitetura escalável, o CNC permite que a nuvem cresça conforme a necessidade.

O primeiro projeto apoiado pelo CTIC, apresentado no segundo dia do evento (2/12), foi o AltoStratus. O objetivo da iniciativa é propor, especificar, implementar, implantar e avaliar técnicas e mecanismos de middleware para composição, execução e gerenciamento de serviços em ambiente de nuvens computacionais híbridas e heterogêneas. Os professores Frederico Lopes, da UFRN, e Carlos Kamienski, da Universidade Federal do ABC (UFABC), apresentaram o projeto na II Mostra Inova CTIC.

“Nosso projeto propôs uma integração de plataformas de computação em nuvem. Assim o usuário pode criar seu workflow, com tempo de execução, e a ferramenta detecta as atividades solicitadas e distribui tarefas para serem processadas nas nuvens particulares, podendo ser estender a nuvens públicas se necessários, para atuar no tempo solicitado pelo usuário”, explicou Lopes. O desenvolvimento do trabalho, de acordo com a proposta do CTIC, é dividido em núcleos de universidades. De acordo com Lopes, a solução final aproveitou o melhor de cada proposta, criando um modelo conceitual de arquitetura de alto nível de integração de plataformas de computação em nuvem.

Encerrando as atividades da manhã, o coordenador do projeto, o PhD Francisco Brasileiro, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), apresentou as iniciativas do Jit Cloud. O grupo desenvolveu meios alternativos para construção de infraestruturas de computação na nuvem públicas, baseados no conceito de implantação Just in Time (JiT) da infraestrutura computacional necessária. Em uma JiT Cloud, o provedor aloca recursos apenas quando estes são requisitados pelos seus clientes e apenas enquanto estiverem sendo utilizados. Este tipo de alocação elimina a necessidade de planejamento de capacidade na perspectiva do provedor.

Foram entregues versões incrementais dos protótipos dos componentes do middleware (CBM) e dos mecanismos associados com as outras quatro áreas focais: o Mecanismo de Provisionamento e Gerência, Mecanismos de Tarifação e Monitoramento, Mecanismos de Segurança e Mecanismos de Dependabilidade Autonômicos. Os resultados das atividades de pesquisa foram consolidados em relatórios técnicos e artigos científicos, que incluíram 17 publicações, oito dissertações e quatro teses.